A Rainha das Lâminas - Capítulo - 2 - O Véu de Raiva.

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A Rainha das Lâminas - Capítulo - 2 - O Véu de Raiva.

Mensagem por Tulyan em Ter Mar 24 2015, 20:37

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Estava de pé num banco oval e acatado onde momentos antes a tecelã tirava minhas ultimas medidas para um belo vestido de seda e lã fina que usaria em algumas horas. Minha mãe estava na porta usando um vestido azul-celeste com as mãos à frente numa postura elegante, seus cabelos rubros desciam um pouco encaracolados nas belas pontas que caiam a frente  sob um pequeno chapéu de cetim dourado que ela adorava.

- Está tão linda filha. – ela me olhava sorrindo gentilmente mostrando as covinhas nas bochechas rosadas. – Espero que não esteja mais irritada.

- Não, imagina... – eu disse ironicamente descendo do banquinho. – Mas estou tentando, mesmo que não resolva muito. – puxei meu vestido branco de cima de uma mesa redonda de canto, a vesti quase sem respirar por causa do espatilho vermelho que usava.

- Ao menos é alguma coisa. – minha mãe falou carinhosamente. – Temos que ir filha, vamos te aprontar, a tecelã deve ter feito os últimos ajustes.

     Passamos pela porta que mal rangia e pelos corredores andamos solitárias ao som dos nossos passos que ecoavam como trovões ao salto alto.

- Você tem certeza de que não quer conhecê-lo melhor. – mamãe falou pela terceira vez.

- Ele vai ter o resto da minha vida para isso. – disse séria. – Vou aproveitar por enquanto.

     Fizemos uma curva para a direita onde as grandes janelas sugavam os primeiros raios de Sol do dia, num dos vário cômodos de nossa mansão nós entramos pelas portas grandes e brancas de salgueiro decoradas com prata. Lá dentro seis mulheres estavam a minha espera, supervisionadas pela tecelã, uma mulher baixinha de sotaque do norte, de óculos redondos e escuros sob o cabelo curto que não passava dos ombros frágeis e eretos que vestia um moletom branco sob um vestido vermelho e breve.

- Venha jovem moça. – ela me chamou e só ai notei um vestido grande e maravilhoso com pequenas abas douradas nas mangas e no quadril, que se montava num manequim de mármore ao fundo da sala espaçosa.

- Espero que não nos atrasemos muito. – minha mãe falou preocupada.

- Mas esse é a magia especial. – a Tecelã me olhou com um brilho fumegante de paixão e inspiração refletido pelas luminárias no teto aos óculos. – Ela estalou os dedos e imediatamente suas empregadas começaram a movimentar-se em sincronia ao meu redor.

     Pegaram o vestido e logo começaram a vesti-lo em mim aprestando cada medida até que meu espatilho ficasse mais confortável. O Sol inundava a ampla sala de piso de madeira vermelha a minha esquerda, fiquei com os braços esticados como um espantalho enquanto as moças gentilmente me arrumavam sob a vigilância mortal da Tecelã que se irritava com os mínimos erros possíveis.

- Até quando essa enrolação vai durar. – pensei comigo mesma. – Já não basta o que tenho que fazer, agora tenho que ficar aqui como uma tonta.

- Você não me parece feliz Evandra, vai se casar com um Homem – ela enfatizou o ‘’homem’’ como se fosse algo caloroso e desejável. Poderia ser admito, mas não assim.

- É... Eu tenho... – falei para agrada-la e não ser rude. – Mas confesso que iria pre
ferir outras maneiras, não essa.

- Evandra! – minha mãe disse com autoridade. – Já debatemos bastante, agora. – ela parou um pouco. – Agora é tarde.

     Fiquei séria sem mesmo olhar para ela, me sentia começando a ficar realmente nervosa cada vez mais.
 
     Um silêncio descomunal se vira para o altar onde eu estava graciosa, Evam usava um terno negro com uma rosa no bolso do peito, uma gravata vermelha e sapatos brancos quanto o carvão da lareira de meu quarto, seus cabelos negros caiam até os ombros seus olhos verdejantes me sondavam em esperança. O padre com seu traje longo e branco me olhava ansioso por minha resposta, ele estava atrás de um pedestal de mármore onde ele ajeitava seus aparatos religiosos. Olhei para meus pais em julgamento, me virei para Evam que parecia calmo e gracioso como uma estátua de um anjo.

- Sim. – disse rapidamente e no mesmo instante os convidados entraram em euforia  e já começavam a festejar.

     Para finalizar beijei-o, foi meu primeiro admito, senti seus lábios macios e quentes tocando os meus com suavidade em meio aos aplausos trovejantes. Passamos pelos tapetes vermelhos cheios pétalas de rosas meio amassadas, estávamos de mãos dadas enquanto cumprimentávamos as pessoas que nem mesmo conhecia, rápido quanto chegaram os convidados se foram junto a nós até a festa que havia.

     Já era fim de tarde quando fomos festejar no salão de festas de casa, estava numa carruagem branca com estofado vermelho cheia de lírios brancos, Evan sentava-se a minha esquerda enquanto um par de cavalos brancos nos levava pela pista de rochas fragmentadas que por sua qualidade não fazia um solavanco sequer. Vários populares foram convidados para a celebração, tornando o evento mais conhecido por toda a cidade portuária Wreathwood. Outras carruagens já se estacionavam ou chegavam trazendo ilustres que meu pai adorava conversar por horas sem perder o interesse. Descemos ao mesmo tempo já a frente dos portões de pinheiro reforçados com aço e com um entalhe de animais por toda parte onde soldados com lanças e armaduras prateadas ficavam de pé a cada degrau da escada onde um tapete rubro se estendia até o par de tornos de prata e quartzo bem adentro e a vista.

-Tudo bem Eva? – ele me perguntou com um olhar singelo. – Parece insatisfeita.

- Não se preocupe, eu tô bem, só é muita coisa em pouco tempo. – eu o olhei vagamente enquanto ele sorria meio indiferente.

- Você é tão linda brava... – ele disse sorrindo. – Acho que com o tempo você perceberá a sorte que EU tive em me casar com você. – ele pôs a mão sobre minha cabeça.

     Com uma aproximação vagarosa ele beijou-me na testa tirando meu longo véu com rapidez e o jogando na carruagem que começou a sair quando um velho de terno e cartona balançou as rédeas, ele tirou meu cabelo da armação e o jogou para trás.

- Eu adoro essa cor. – ele disse me olhando profundamente. – Mas gosto ainda mais de seu rosto.

     Eu levantei uma sobrancelha enquanto puxava duas partes do meu longo vestido para que subisse as escadas sem problemas. 

Passarmos pelos portões altos para o salão que tocava melodias magnificas e suaves de alaúdes, flautas e violinos dos bardos alegras de trajes vermelhos e ficavam ao lado esquerdo dos assentos. Duas longas mesas se estendiam onde um banquete estava a ser servido rapidamente. Os convidados nos receberam com uma chuva de palmas e aplausos que se espalhavam sem tumulto, eu acenava a eles cordialmente como uma criança a estranhos, Evam me segurava pelos ombros como um abraço enquanto me sentava espalhada no trono de prata ignorando qualquer etiqueta ou modos.

- Olhe, estão trazendo presentes. – ele disse cutucando meu braço para chamar minha atenção.

- Sim eu vi. – retruquei meio sem emoção por estar tão cansada e contrariada. Como eu podia casar-me com alguém tão bom nem mesmo gostar dele, se fosse de outro jeito teria certeza que seria diferente.

     Uma fila se formou a nossa frente e aos pares ou sozinhos os convidados traziam seus presentes dos mais variados, que iam desde joias, peças de roupas á espadas antigas, nada que me impressionasse além do mais a grande maioria era para o marido, mas para todos eu acenei cordialmente com gratidão enquanto Evam fazia questão de cumprimentar cada um e agradece-los formalmente. A maioria era pessoas que nem conhecia por ser da parte familiar dele, e dos poucos que me recordava serem da minha, que mal sabia minha idade ou meu nome, me cumprimentavam e davam-me beijinhos nas bochechas mesmo que aquilo fosse sem emoção alguma eu retribuía, e nessa de fingir uma intimidade falsa e relutante comecei a cair em minha própria farsa.

     Mas em meio á aquela agitação sussurros soavam incrédulos enquanto meus pais vinham ao lado do Tio Minus que vestia um terno negro, botas negras e uma gravata dourada, até penteou a barba longa e os cabelos branquíssimos, acompanhado de quatro soldados fortes de armadura pesada e dourada que traziam algo sob uma estrutura móvel que me perguntava como subiu as escadas, e coberto por uma pano azul claro estava algo que me lembrou o manequim de meu vestido. Minha mãe com seu vestido vermelho e rosto muito bem maquiado chamou a atenção do meu pai que ajeitou o bigode o enrolando  como faz, ele usava um terno branco e uma gravata dourada que eu sempre gostei e em seu bolso uma rosa azul estava a descansar, com animação o Tio Minus veio até mim sorrindo.

- Filha! Meus parabéns... – ele disse beijando minha mão. – Eu e seus pais lhe trouxemos um presente muito bom, é o maior trabalho que eu já fiz em toda minha vida. Espero que goste.

     Com um gesto os soldados puxaram o pano que encobria o que seja. Para meu espanto era um armadura, não como uma qualquer que se compra por ai, seu metal era tão negro quanto o céu noturno e em suas frestas um vermelho sangue incandescente fazia parecer que ainda estava aquecido.

- Essa armadura é feita com um meteorito extremamente raro, que nem mesmo é catalogado. – ele encheu o pulmão de ar. – Por isso batizei-o de Evanium em sua homenagem, o mistério desse metal é que eu precisei de quase quadruplicar a temperatura para poder moldá-lo e... – ele pareceu triste. – Infelizmente não tinha o suficiente para o elmo...

- Mas eu adorei! – disse soltando um gritinho que logo foi contido pela minha mãe ao limpar a garganta em chamado de atenção. – Não importa se não deu para fazer o elmo Tio, eu simplesmente adorei, é maravilhoso! 

     A armadura de perto era tão espetacular quanto de longe, apesar de negro seu metal reluzia e o vermelho emanava um calor fraco que me deixou pasma, era feita especialmente para mim, descobri isso por causa do peitoral diferenciado, que era robusto e acentuado, as ombreiras eram suaves apesar das duas pontas proeminentes, as manoplas pareciam ter vindo de algum monstro, pois eram afiadas e nas costas das mãos runas se materializavam com força, toda ela era bem justa de tal forma que parecia não poder ter movimentos, mas apesar de não deixar pontos fracos era muito ágil, as botas nem se fala, eram escamadas até as joelheiras que erguiam uma ponta robusta que acompanharia os movimentos mais bruscos e seu pico parecia de uma águia, até o calcanhar recebeu uma lâmina curva. Eu tive que toca-la mesmo que usa-la estivesse fora de cogitação.

- Que bom que gostou filha. – disse meu pai me abraçando. – Levem para seus aposento, vamos festejar! – ele disse acompanhado dos populares foliões.
 

Dois anos e sete meses depois
 

     Já era manhã e com um movimento rápido me levantei de minha cama branca jogando o cobertor vermelho para o lado, olhei para os lados com sono, Evam já se levantara então pude usar o banheiro, estava a pentear meu cabelo rubro enquanto me olhava no espelho ao lado de uma janela grande, via as marcas do tempo em mim, e sentia que algo jovem estava morrendo a cada dia, o pior de tudo era que eu não podia mudar mais, era muito tarde. Perdida em meus pensamentos deixei meu pente cair no chão, nem tinha vontade de sair como antes, deixei o pente lá mesmo jogado solitário sob o tapete vermelho, peguei um vestido simples e branco que vesti sem problemas, peguei um par de sapatos negro e os coloquei sem vontade alguma, fui até a porta e com um suspiro abri-a, sincronizadamente Ana, nossa empregada mais antiga a puxou também, com um susto ela caiu sobre mim chorando muito, eu confusa apenas a coloquei em minha cama enquanto ela caia em prantos.

- O que foi Ana? – eu a perguntei enquanto ela limpava os olhos com a roupa branca. – Alguém brigou com você de novo?

- Não Eva... É... Seus pais... Eles foram encontrados mortos hoje mais cedo. – eu senti um calafrio agudo passar por mim como se um fantasma andasse ao meu redor. – Disseram-me que eles morreram por causas naturais...

     Era fato que eu não os via faz uns dois anos, mas eu mesma me espantei pela minha frieza em nem mesmo derramar uma lágrima sequer. Eu sentei ao seu lado e a abracei para reconforta-la. – Não se preocupe, tenho certeza de que estão num lugar melhor, eu não gosto de ver quem gosto triste está bem, quando vai ser o enterro?

- Enterro? – ela disse passando a mãos nos olhos. – Eles queriam ser cremados, vai acontecer na nossa antiga cada em Wreathwood, eles queriam que suas cinzas fossem espalhadas no mar. – ela falou se levantando. – Desculpe-me senhora, não devia me meter em assuntos particulares.

- Não há problema Ana, você é minha irmã esqueceu? – eu a abracei de pé enquanto sentia seu cheiro de erva doce causado por seu perfume. – Não vamos nos entristecer pela perda, e sim nos alegrar por eles estarem no céu agora.

- Tudo bem, Eva, eu posso aprontar as sua coisas para ir, ou não? – ela perguntou com um leve tom de animação.

- Pode sim, Evam está de viajem para Morfin Hall então ele não poderá ir, nem acho bom intrometê-lo já que anda muito ocupado com os negócios. – suspirei pesarosamente enquanto ela concordava com a cabeça baixa.

- Ah e... Chegou essa carta para ti, veio de longe e não têm endereço ou nome. – ela puxou uma carta de boras douradas que logo me lembrou de quem era, o selo estampado na cera vermelha era de alguém que visitei há algum tempo para sanar uma dúvida.

     Ela saiu sem falar nada e com suavidade fechou a porta de cedro, e naquele vazio do meu quarto derramei apenas uma lágrima cintilante que caiu em minha mão direita, eu a apertei  enquanto outras vinham, com um levantar de moral eu ergui minha cabeça e limpei o rosto com um pano branco de seda , abri a carta com as próprias mãos, ignorando a tesoura em cima da escrivaninha negra, cortei seu topo e puxei a carta interna que estava escrita muito bem pela minha amiga Muriel, que teve mais sorte do que eu ao estudar e formar-se em medicina, quase a invejo, quase...

- Desdobrei-a com ansiedade quase me esquecendo do que pensava antes. – e a li com certa vagarosidade. – Pêlos testes que fizemos juntas, pude comprovar e afirmo com total certeza de que você está grávida de quarto meses, o que explica seu enjoo e a falta do... você sabe, espero que essa carta chegue o mais rápido possível, não se esqueça de fazer o acompanhamento ta bom, e meus parabéns!    Com muito amor Muriel.

- Eu... Grávida... – olhei para mim mesma incrédula. – Não podia ter vindo em hora pior, agora mais um problema pra carregar nesse mundo... Maravilha...


Última edição por Tulyan em Qui Maio 21 2015, 16:47, editado 3 vez(es)

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Re: A Rainha das Lâminas - Capítulo - 2 - O Véu de Raiva.

Mensagem por Gamesmenezes em Ter Mar 24 2015, 23:43

Caramba, até ser mencionada a cidade Wreathwood pensei que essa fic não era relacionada à TK. Estou mega curioso para saber o que acontecerá nos próximos capítulos. E eta pomba, que protagonista azarada :v.

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Re: A Rainha das Lâminas - Capítulo - 2 - O Véu de Raiva.

Mensagem por Tulyan em Qua Mar 25 2015, 14:37

D: é ela é muito azarada, tive até dó de fazer isso com ela, mas tudo ficará bem... para os meus parâmetros claro...

Bom, essa fic junto ao FA ficarão mais lerdas por causa das provas, mas nada tão alarmante já q escrevo a toda hora por pura empolgação, e bom, o cap 14 do Fúria Ancestral está prestes a sair, quentinho como pão... Só q n morto...

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Re: A Rainha das Lâminas - Capítulo - 2 - O Véu de Raiva.

Mensagem por OtakuCraft em Qua Mar 25 2015, 18:25

Nossa, azarada ela- digo, parabéns! Quem diria, né? Parabéns pela morte de seus pais! ^^
Não, pera. '-'

Ern... bem, ainda aguardo por mais. '^^

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Re: A Rainha das Lâminas - Capítulo - 2 - O Véu de Raiva.

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